[STORYTELLING TIPS] “3 coisas que aprendi narrando RPG” por Bruno Cobbi

Domingo retrasado, dia 28 de novembro de 2014, foi o encerramento da nossa temporada de atividades do projeto #vemjogarRPG. Foram mais de 40 tardes de jogo recheadas daqueles momentos incríveis que só quem joga RPG conhece. Essa semana, fiz uma pequena retrospectiva e tirei três lições divido por aqui — e agora surgiu a ideia de transformar num meme.

1. Não importa quanta expectativa você tenha por um jogo, o RPG é capaz de superá-la.

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Um veterano e uma novata. Dois perfis totalmente diferentes plenamente satisfeitos. Um verdadeiro troféu pra todos os 215 responsáveis por isso.

Como era nossa última tarde por lá, queríamos ajudar aqueles jogadores a narrarem o melhor jogo de RPG da galáxia! Nossa expectativa era altíssima. Tínhamos planejado muita coisa, eventos, personagens, locais, tramas intrincadas.

Lógico que nem tudo correu bem diferente do que planejamos.

O RPG é um jogo feito por pessoas e quanto mais gente envolvida numa história, maior a é a chance de boas ideias surgirem. Muitas delas  bem melhores que aquelas que o narrador teve sozinho.

Foi um jogo fantástico, onde a cosmologia do cenário foi completamente alterada, duas novas divindades surgiram e NADA disso estava previsto pelos narradores.

Improvisamos tudo. Encerramos a mesa com palmas. Teve até choradeira de emoção. 🙂

2. O faz de conta do RPG é parte do ser humano.

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“Já sei! Vamos narrar uma mesa pra 50 pessoas ué!”

Nesse último dia, fizemos um jogo com 47 jogadores. Sério.

Não era um LARP. Não era uma mesa.

Foi uma coisa maluca que meia duzia  narradores (Tales, Guten, Edu, Zig, JoãoYuri e eu) inventamos pra fechar o arco final de uma campanha que durou 42 semanas, 210 horas e foi elaborado por 215 jogadores que passarem pela Fábrica de Cultura.

Tinha TUDO pra dar errado. Conflitos de interesses entre personagens, histórias reversas e desinteresse de alguns…

Entretanto, deu tudo certo. Melhor do que imaginávamos até.

Isso aconteceu justamente porque no decorrer da campanha, despertamos um poderoso espírito de abertura ao improviso e à colaboração entre os participantes. Não tinha ninguém querendo se destacar mais do que ninguém. Ninguém queria ser protagonista ou platéia. Estávamos todos envolvidos e comprometidos com a atividade, trazendo de dentro aquela capacidade que carregamos desde o tempo de habitávamos as cavernas: a arte de nos reunirmos pra contar histórias.

3. RPG é mais que contar histórias: é quase vivê-las.

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Videogames, cinema, teatro, séries de TV, literatura, quadrinhos… Sou apaixonado por tudo isso.

Cada um desses hobbies tem sua forma específica de tocar nossa alma. Já fui sacudido diversas vezes por todos, mas nenhum chegou perto dos meus melhores momentos numa mesa de RPG e acredito que seja justamente porque a natureza do RPG não é “consumir” uma história e sim vivê-la.

Sabe quando você acaba de ler um quadrinho fantástico (quem leu Watchmen, sabe!) ou termina de assistir aquele episódio incrível da sua série favorita (Game of Thrones, #quemnunca) e a única coisa que você quer naquele momento é sair correndo pra comentar com os colegas?

Pois é.

Imagina um jogo onde esses colegas não só estavam ali consumindo aquela história incrível contigo, como também te ajudaram a criá-la.

É isso.

Pra entender o resto, acho que só jogando mesmo.

♫ Estaaaaaaaava o narrador em seu lugar… ♫

Tenho certeza que a galera aqui da Roleplayers deve ter milhares de coisas pra ensinar sobre esse período incrível que passamos lá no projeto #vemjogarRPG.

Então quero dar continuidade nessa brincadeira passando uma quest para Eduardo Vancsek, Gutenberg Mooz e Leandro Siegfried: dividam por aqui três coisas que aprenderam lá no #vemjogarRPG. Depois repassem a quest e convidem outros três narradores para continuarem dividindo o ouro conosco.

Enquanto a gente espera, separei uma seleção que as melhores fotos desses primeiros 10 meses de projeto. Vem ver!

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[ATUALIZADO] MEME Alert!

O Guten foi o primeiro a responder o desafio com 3 dicas de ouro! Não deixe de ver!

Author: Bruno Cobbi

Lidero a Roleplayers na transformação de RPG em negócio. Gosto de videogames, luta-livre e histórias bem contadas. Reciclo meu lixo, consumismo, stress e ideias. Adoro bom-humor, gente alto astral e cheiro de chuva no asfalto. Odeio bicho engaiolado, telefone tocando e pessoas que odeiam coisas demais. Nunca acho que tenho amigos o bastante e sei que o mundo é do tamanho que cada um consegue enxergar.

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5 Comments

  1. Olá Gostaria de falar que realmente surpreende a todos

    me lembro um certo evento (AF de 2013 no campo de marte)

    onde jogavamos a camapnha Cidadela do sol e todos meus amigos ja tinham morrido e eu estava de mago lvl 01

    nao tinha forca suficiente parAa quebrar a porta, entao escolhi o caminho das armadilhas, apos 07 teste de reflexos sai ileso e consegui completar o desafio, o mestre da mesa era “Grandi”, consegui ver o ar de surpresa nos olhos dele KKK

    abraz 2015 é nois no AF.

    • Oi Otavio,

      Uma das coisas que os narradores mais curtem é quando os jogadores surpreendem com boas ideias pra solucionar um desafio que parecia prestes a derrotar o grupo. É parte daquela primeira dica sobre superação de expectativas, só que, nesse caso, falando da superação da expectativa do narrador sobre os demais jogadores.

      Bora ganhar XP! #VAIROLEPLAYERS

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  1. [STORYTELLING TIPS] “3 coisas que aprendi narrando RPG” por Guten Mooz | Roleplayers - […] Ok, Bruno Cobbi. Desafio aceito. […]

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