[RESENHAS] Conheça as mulheres da Terra-Média em “Senhoras dos Anéis”

Anjos, demônios, donzelas, guerreiras, diplomatas — as personagens de J.R.R. Tolkien que compõem o Universo de Arda não podem passar batido na viagem do leitor que se aventura pela Terra-Média, o cenário das obras de um dos maiores autores de fantasia do século XX.

senhoras-dos-aneis-1

Senhoras da Terramédia é uma obra magnífica, desenvolvida pela Organização Rosana Rios e publicada pela Editora Devir que convida à uma reflexão comparativa sobre a influência das mulheres mais importantes na vida de J.R.R. Tolkien e as personagens de sua criação, a saga de O Senhor dos Anéis.

O livro é um compêndio completo tanto das personagens popularizadas pela adaptação cinematográfica de O Senhor dos Anéis e muitas outras através das quais o destino de Arda foi significativamente influenciado.

Discretas e cativantes

É assim que os apaixonados por toda criação de J.R.R. Tolkien descrevem essas personagens. Todos os papéis atribuídos a elas no contexto dos pensamentos de nossa época são perfeitamente cabíveis e suas atitudes ou motivações consideradas “normais” — não fosse o fato de que Tolkien escreveu as sagas da Terra Média quando os ideais feministas ainda não passavam de um murmúrio.

É verdade que o grande destaque de sua obra são os personagens masculinos, mas as mulheres desempenharam um papel não menos importante como inspiração e encorajamento, surpreendendo com atitudes indignas à uma dama.

Arwen Undömiel, a Estrela Vespertina dos elfos

Ela é maior inspiração para que o seu amado Aragorn varra a escuridão da Terra-Média. É pela elfa que ele não se deixa abater pela desesperança mesmo acreditando que ela já teria partido para a terra abençoada ao Oeste.

Quando o fardo de sua missão com Frodo mostrava-se insustentável, Samwise apegava-se ao sorriso de Rose Cotton e à terra farta do condado — e existe algo mais feminino do que a fertilidade manifesta na terra?

Galadriel

galadriel

Ah… Galadriel… O que dizer da nobre elfa, rainha e feiticeira da floresta? Que significativa participação ela  teve em muitos momentos cruciais da história de Arda e, principalmente, na Terra-Média: tentada pelo Um Anel, avó de Arwen, sogra de Elrond, figura mantenedora e protetiva dos elfos desde a Era das Estrelas.

E como esquecer Lady Éowyn de Rohan que não aceita o destino como representante da alta nobreza confinada a um palácio e encontra na decepção amorosa com Aragorn a força que faltava para brandir uma espada durante a Guerra do Anel e, com ajuda de um hobbit, matar o Bruxo Rei de Angmar — que não poderia ser morto por homem algum.

eowyn

 

Todas as donzelas num só livro!

Entre elas posso citar a bela Lúthien TínuvielMorwenMelian a Maia, FinduilasErendis e não se pode esquecer também de Ungoliant, a mãe de todas as aranhas, Laracna (ou Shelob) que se interpõem diretamente na trajetória de Frodo e Sam na saga do anel.

A obra deixa óbvio que J.R.R. Tolkien desenvolveu suas obras sem desequilíbrio entre o enaltecer do poderio masculino e feminino. Sem subjugar nenhum dos dois lados, personagens de ambos os sexos possuem papéis determinantes e foram designados conforme a história solicitava.

Referências lunares

Apesar de católico fervoroso, é evidente a inspiração da cultura celta em suas obras. Arrisco dizer que, da mesma forma como no paganismo em geral, a Mãe Terra, Deusa, Mãe Divina, Senhora da Lua, Feiticeira da Noite ou qualquer outro nome sempre está presente ainda que oculta, no papel de simples observadora, aguardando pacientemente a hora de agir, falar, interferir.

Aos que já são fãs de J.R.R. Tolkien, a obra é um prato cheio. Além do debate com relação ao papel das personagens femininas, o Compêndio conta com um resumo da história de cada uma delas.

Para aqueles que pouco ou nunca se aventuraram no mundo de literatura fantástica do autor, o livro certamente os instigará a ler as outras obras e sanará algumas das questões deixadas como pistas na adaptação cinematográfica de Peter Jackson.

Author: Liz Oliveira

Libriana, bailarina oriental, terapeuta holística, narradora roleplayer, casada com um paladino, mãe de cinco gatos, adora cozinhar e é apaixonada por literatura fantástica, maquiagem, cristais e por contar histórias.

Share This Post On

2 Comments

  1. “A obra deixa óbvio que J.R.R. Tolkien desenvolveu suas obras sem desequilíbrio entre o enaltecer do poderio masculino e feminino. Sem subjugar nenhum dos dois lados, personagens de ambos os sexos possuem papéis determinantes e foram designados conforme a história solicitava.”

    Acho que não dá para defender essa conclusão, por mais que o feminino tenha importância na obra do Tolkien, ele tem um papel secundário e, em geral, bem definido e limitado. É Frodo quem leva o um anel, Aragorn quem se torna o rei, Gandalf é o grande mago, Sauron é o grande inimigo. Galadriel pode ajudar, Laracna atrapalhar, mas quem decide o destino são os homens. Éowyn pode até lutar, mas ela é única, está fazendo algo proibido e, ao fim da história, tem que se casar e cumprir seu papel de mulher, mesmo que tenha outras habilidades que não somente aquelas relativos ao seu papel social. Creio que o Tolkien estava muito preso ao cristianismo que professava para pensar em qualquer tipo de protagonismo feminino.

    • Oi Bruno! sim, nesse quesito de digamos “fazer” os homens estão realmente à frente nas obras de Tolkien, mas é inegável o mistério velado das mulheres tanto no cristianismo quanto nas vertentes pagãs.

      Assim como a Nossa Senhora da igreja católica, as mulheres da obra de alguma forma interferem significativamente no destino da Terra-Média, seja como inspiração e razão de lutar como Arwen para Aragorn, seja aconselhando sabiamente como Galadriel ou ainda mostrando que os papéis também podem inverter nas épocas de crise como no caso de lady Éowin.

      Obrigada por compartilhar conosco seu ponto de vista!

Submit a Comment