[RESENHA] Ainulindalë: A Canção Magnífica do Silmarillion

Saudações, Roleplayers! Haul! Haul! Haul! _o/

Com imenso prazer, apresentamos a abertura do nosso mês mais importante do ano: a véspera do EIRPG!

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O Encontro Internacional de RPG é o segundo maior evento do mundo do segmento! E acontece dentro do maior evento de animê da América Latina, o Anime Friends.

E a Roleplayers vai estar lá! \o/ #VAIROLEPLAYERS

Esquentando os motores!

Ainda não podemos revelar muito detalhes, mas pra ir antecipando algumas novidades da nossa festa desse ano, vamos rechear o mês com posts sobre o maior ícone da literatura fantástica do mundo, o escritor que inspirou a criação do RPG:

J.R.R Tolkien

tolkien

 

Esse mês falaremos sobre diversas obras de uma das maiores franquias que o universo fantástico já viu. São filmes, games, livros, teremos quitutes para todos os gostos.

E nada melhor do que começar do começo…

A gestação da Terra-Média e de tudo o que se conhece sobre o universo desse maravilhoso autor como vocês, “O Silmarillion”.

“Ainulindalë: A Canção Magnífica do Silmarillion” por Vasco Sagramor

Uma canção é uma composição musical que geralmente é acompanhada de instrumentos musicais e letras. É normalmente interpretada por um único vocalista, mas também pode ser cantada por um dueto, trio ou mais vozes. Suas letras podem ser em versos, poesias ou livre prosas. “O Silmarillion”, obra literária que antecede os eventos ocorridos no “Hobbit” e no “Senhor dos Anéis” começa com “A Grande Canção” (Ainulindalë) que criou o mundo de Arda e seus habitantes.

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A Grande Canção dos Ainur e a criação de Arda.

Filólogo e autor, Tolkien criou muitos idiomas para ajudá-lo a expressar os sentimentos, angústias, desejos e vontades do seu mundo fantástico:

  • Élfico, o idioma nobre do primeiro povo da Terra-média;
  • Westron, a “língua geral”, derivada do Adûnaico que os Númenorianos do Oeste usavam para comercializar com o litoral ocidental;
  • Khuzdul, o idioma dos anões,
  • Entish, o idioma dos entes, os seres gigantescos que parecem árvores;
  • Valarin, o idioma usado para a comunicação com os Valar,
  • A linguagem dos orcs da Primeira Era;
  • A “Língua Negra” de Sauron e seus servos corruptos;
  • A linguagem dos orcs da Terceira Era, que incorpora algumas formas da “Língua Negra” e outras linguagens.

Ao meu ver, há poucas expressões tão marcantes desse fato do que as canções em alguns desses idiomas.

Para homenagear essa obra, acho justo que a resenha sobre O Silmarillion que você lerá abaixo seja estruturada na forma da concepção de uma canção.

Tolkien

J.R.R.Tolkien em 1916 servindo no exército britânico

O propósito da canção

Em 1914 Tolkien, um oficial britânico que havia retornado da França durante a Primeira Guerra mundial, estava hospitalizado sob licença médica. Durante esse período ele começa a escrever “O Silmarillion” com a intenção de criar um tratado de mitologia inglesa que explicaria as origens do povo inglês e a sua cultura. A primeira versão completa do manuscrito era chamado de “Rascunho da Mitologia” e foi concluído em 1926. Nele estavam as primeiras idéias e explicações da história de Turin.

Após o sucesso de “O Hobbit” em 1937, Tolkien enviou ao seu editor a história incompleta — e ainda assim mais desenvolvida — dessa obra, agora chamada de “Quenta Silmarillion”. Os editores no entanto recusaram o livro por considerá-lo muito Celta e obscuro. Ele decide então abandonar as revisões que estava realizando no Silmarillion e foca-se na sequência do “Hobbit”, a saga de “O Senhor dos Anéis”.

No fim dos anos 50 Tolkien retornou a visitar seus manuscritos sobre o Silmarillion com um olhar mais teológico e filosófico do que narrativo. Ele tinha dúvidas sobre os aspectos fundamentais do que ele havia escrito anteriormente e se dedicoue inteiramente a resolver esses problemas antes de publicar uma versão final. Focou-se intensamente em tópicos sobre a natureza de Arda, as origens dos Orcs, o costumes e o nascimento dos Elfos e a história do Sol e da Lua.

Muitos anos após a morte do professor, seu filho Christopher Tolkien passou muito tempo estudando esses manuscritos  antes de publicá-los como um livro. Alguns deles foram utilizados sem modificação alguma, enquanto outros (como a “Ruína de Doriath”) tiveram que ser totalmente reescritos.

Finalmente em 1977, com as ilustrações fantásticas de Ted Nasmith, “O Silmarillion” foi publicado.

O primeiro passo na criação de algo sempre gira em torno do seu conceito. “A Grande Canção” de Tolkien logicamente não poderia fugir a regra. Mas assim como tons musicais sendo adicionados e removidos, montados e remontados diversas vezes para encontrar-se a sintonia correta, o primeiro passo do Silmarillion foi complexo, doloroso e exaustivo. Mas assim como qualquer grande sinfonia, esse processo rendeu melodias espalhadas por cada um dos capítulos do livro, dignas de arrancar suspiros de alegria e tristeza em medidas iguais. Da tribulação ergueu-se a glória.

Os instrumentos utilizados na canção

“Ainulindalë” (“A Música dos Ainur”), o primeiro capítulo do Silmarillion, descreve como Eru (“O Único), também conhecido como Ilúvatar (“Pai de Todos”) criou os Ainur, um grupo de espíritos eternos que ele considerava “Filhos dos seus Pensamentos”. Reunindo-os ele, então, apresenta-lhes um tema a partir do qual teriam que criar uma música.

Melkor (um Ainur que Ilúvatar concedeu o maior poder e conhecimento) quebrou a harmonia da música para desenvolver sua própria canção. Alguns Ainur decidiram segui-lo em sua desarmonia, enquanto outros mantiveram-se fiéis ao tema estipulado por Ilúvatar. Essa “disputa” ocorreu em três momentos, com Eru dominando com sucesso todas as tentativas do seu subordinado de tomar controle da melodia ao apresentar sempre um novo tema para a canção.

Por fim Ilúvatar interrompe a música e mostra a eles uma visão atemporal de Arda e todos os seus povos. Quando a visão desaparece ele então mostra aos Ainur o mundo de Arda, criado pela canção e os temas que ele havia proposto, e oferece a eles a chance de entrar naquele novo mundo para governá-lo com sabedoria e prepará-lo para a chegada dos “Filhos de Ilúvatar” (os Elfos e os Homens).

Eru Ilúvatar

Eru Ilúvatar

Muitos deles aceitam a proposta de Ilúvatar e assumindo formas físicas entram no mundo e se tornam ligados a ele. Os maiores entre eles foram chamados de “Valar”, enquanto os Ainuir menores (tornaram-se seus servos) eram chamados de “Maiar”.

Os Valar, ligados ao mundo, começam então a moldá-lo criando montanhas, planícies, rios, e vales. Melkor no entanto, ainda desejoso por controlar Arda sozinho, declara guerra a seus irmãos e, por mil anos, eles se enfrentaram até que o mundo ganhou sua forma. Nesse periodo Melkor corrompeu diversos Ainur para sua causa, criando assim os Balrog (seus servos mais poderosos) e o seu maior tenente, Sauron.

Uma vez escolhidos os “instrumentos” para a canção que viria a se tornar o Silmarillion, podemos perceber como as notas se encaixam. O orgulho de Melkor disfarçado como força. O conhecimento dos Valar sobre toda a linha de tempo de Arda e ainda assim a incapacidade deles de lidar com o inesperado. A falha na improvisação quando o ritmo da música perde o seu compasso. Mas, apesar de todos esses problemas, a luta incansável para se alcançar o momento de perfeição no mundo em prol do amor sentido pelos Valar quanto aos primeiros filhos de Ilúvatar. Os instrumentos foram manejados com cuidado, experiência e amor por Tolkien para finalmente nos revelar o crescendo da melodia.

Os tons iniciais e o crescendo da melodia

O segundo capítulo do Silmarillion é chamado de “Quenta Silmarillion” (“A história das Silmarils”) e conta sobre a trágica guerra das jóias durante a Primeira Era do mundo de Arda.

Os Valar, preparando o mundo para a chegada dos Elfos e dos Homens, constroem duas lâmpadas para iluminar o mundo (uma vez que Melkor e seus servos, criados quando o mundo ainda não possuía nenhuma luz, são enfraquecidos por ela). No entanto, quando Melkor destrói as lâmpadas e mergulha o mundo novamente na escuridão os Valar se retiram para Aman (um continente a Oeste da Terra Média) onde eles criam o lar abençoado chamado de Valinor. Sem as lâmpadas para iluminar o mundo, eles criam duas árvores (Telperion, a Prateada e Laurelin, a Dourada) que brilhavam alternadamente no continente. Com a partida deles a Terra-Média fica entregue às trevas e ao “Inimigo”.

Luz de Valinor

As luzes das árvores vindo de Valinor

Quando as estrelas começam a brilhar os Elfos despertam e os Valar finalmente decidem combater Melkor para garantir a segurança dos primeiros filhos. Durante essa batalha eles finalmente conseguem derrotá-lo (o levando prisioneiro até Aman) e convidam os elfos a viver com eles em Aman. Muitos deles aceitam o convite, enquanto uns recusam e outros perdem-se no caminho até a orla ocidental da Terra-Média. Os que conseguiram chegar a Valinor se dividem em tribos (os Vanyar, os Noldor e os Teleri). Os Elfos que permaneceram na Terra-Média eram conhecidos como Sindar.

horda noldorin

Horda Noldorin no norte congelado da Terra-Média

Em Aman, Fëanor, filho do Rei dos Noldor, cria as Silmarils, jóias que brilhavam com a luz das duas árvores. Nesse mesmo período Melkor, agora livre da sua prisão por ter fingindo arrependimento diante dos Valar, destrói as árvores com a ajuda de Ungoliant (uma aranha gigantesca e progenitora da aranha Laracna) assassina o rei dos Noldor, rouba as Silmarils e foge para a Terra-Média. Ao chegar lá ele ataca impiedosamente o reino dos Elfos Sindar mas acaba sendo derrotado na primeira das cinco batalhas que ocorreram em Beleriand (um dos maiores territórios da Primeira Era) fugindo para a sua forteleza no norte congelado da Terra-Média conhecida como Angband.

No entanto Fëanor e seus filhos, após a morte do Rei dos Noldor, juram vingança contra Melkor (rebatizado por eles como Morgoth) e contra todos que estivessem de posse das Silmarils (até mesmo os Valar). Conduzindo a grande maioria dos Noldor ele toma a força os barcos dos Teleri nas praias de Aman (matando muitos deles) e se dirige para a costa da Terra-Média. Lá eles enfrentam no norte congelado grande parte do exército de Morgoth mas Fëanor é morto por Balrogs. Após um cerco de 400 anos o “Senhor do Escuro” consegue quebrar a linha de defesa que os Elfos realizaram em Angband e os dispersa pela Terra-Média.

Adicionando profundidade

Após a destruição das árvores e o roubo das Silmarils (que Morgoth encrustou em sua coroa de ferro) os Valar criaram o Sol e a Lua. Ao mesmo tempo os Homens despertaram e se aliaram aos Elfos através de Beleriand.

Lúthien

Lúthien vista pela primeira vez por Beren

Beren, considerado o maior entre os homens, sobrevive a uma das batalhas mais recentes contra Morgoth e se apaixona por Luthien, filha do Rei dos Elfos de Beleriand, Elu Thingol. O Rei, desejoso por impedir essa união impõe uma tarefa impossível a ele. Recuperar uma das Silmarils em posse de Morgoth. A isso Beren responde: “Não imaginava que os Reis Élficos vendiam suas filhas tão barato”.

Juntos Beren e Luthien enfrentam diversos perigos (incluindo o poderoso tenente de Melkor, Sauron) entram na fortaleza de Melkor e recuperam uma das jóias. Tendo concluído essa demanda a primeira união entre Elfo e Homem é formada. Mas, como em todas as baladas de amor em tempos de guerra, a felicidade não dura para sempre. Beren, ferido mortalmente durante a demanda, acaba morrendo. Luthien o segue depois, morrendo de tristeza.

Os Noldor, percebendo que Melkor não era invencível após a demanda de Beren e Luthien, reúnem seus exércitos e o atacam com força total. Mas sendo um mestre na arte da manipulação, o “Senhor do Escuro” corrompe diversos homens aliados dos elfos e essa traição é o ponto primordial para a derrota total dos exércitos noldorin.

No entanto alguns homens se mantiveram fiéis a causa e esses foram honrados posteriormente. E nenhum homem recebeu mais honras que os irmãos Húrin e Huor. Melkor captura Húrin e o amaldiçoa a observar a desgraça de toda a sua linhagem. Seu filho Túrin Turambar acaba abandonando sua irmã ainda não nascida e em Doriath (um cavernoso reino élfico) conquista grandes vitórias e renome (sendo o maior deles derrotar o dragão Glaurung o dourado). No entanto, sofrendo a maldição de Melkor, Túrin acaba assassinando seu melhor amigo, o Elfo Beleg, casando-se com sua irmã Nienor (que ele nunca havia conhecido) e engravidando-a. Antes da criança nascer o encantamento colocado sobre eles por Glaurung (que os fez esquecer que eles eram parentes) desaparece e tomando consciência do que tinha acontecido entre eles Nienor se suicida sendo seguida por Túrin, que joga-se em cima da própria espada.

Turin

Turin o espada negra de Nargothrond

Já o filho de Huor, Tuor, casou-se com a elfa Idril, filha do Rei do Reino Élfico de Gondolin (o último dos reinos a resistir a Morgoth, conhecido como o Reino Escondido) criando assim a segunda união entre Elfos e Homens. Quando Gondolin foi destruída, graças a traição do Elfo Maeglin, Tuor salvou grande parte dos seus habitantes da destruição e os conduziu ao último refúgio seguro na Terra-Média, as praias do Oeste. O filho de Tuor e Idril, Eärendil o Meio-Elfo, noivo de Elwing, descendente de Beren e Luthien, recebeu dela a Silmaril que estava em posse de seus pais. Usando a luz da jóia Eärendil viajou através do mar de Aman para buscar o auxílio dos Valar na guerra perdida dos Elfos e dos Homens contra Morgoth. Atendendo ao chamado do Meio-Elfo os Valar atacaram e derrotaram Melkor, destruindo suas fortalezas prendendo-o no espaço fora do tempo e afundando no mar grande parte de Beleriand.

Isso decretou o fim da Primeira Era de Arda. Eärendil e Elwing tiveram dois filhos. Elrond e Elros. Sendo descendentes dos Elfos imortais e dos Homens mortais foi dado a eles a escolha de pertencer a uma das duas linhagens. Elrond escolheu permanecer entre os Elfos, Elros escolheu permanecer entre os Homens tornando-se o primeiro Rei de Númenor e vivendo até os 500 anos de idade (uma extensão de vida concedida a ele e a sua linhagem por escolher viver entre os homens).

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Earendil navegando a procura de Valinor

A canção começa a chegar nos seus momentos finais. Os acordes criados e harmonizados por Tolkien tomam sua forma e glória no Quenta Silmarillion. A guerra perdida, o tom de desespero e sacrifício ficam claro na relação entre homens e elfos. E mesmo assim a esperança prevaleçe. A vontade de sobrepujar os desafios impostos pela vida e pela dor da guerra (reflexos dos horrores que ele mesmo vivenciou em duas guerras mundiais) é o que torna o crescendo do Silmarillion algo denso, memorável, esmagador e íntimo.

Improvisando

“Os Caídos”, ou “Akallabêth” é o capítulo que conta sobre a ascensão e a queda da ilha de Númenor habitada pelos Dúnadein, e marca o ínicio da Segunda Era de Arda.

Após a derrota de Melkor os Valar presentearam às “três casas leais dos homens” que lutaram ao lado dos Elfos contra Morgoth uma ilha próxima a Aman. Atráves desse presente os Dúnadain conseguiram grande sabedoria e poder, além de uma expectativa de vida maior que qualquer outro homem mortal. Trocando experiências com os Elfos de Aman que aportavam em sua ilha, e com os Elfos e Homens que ficaram na Terra-Média, os Dúnadain tornaram-se um poder a ser reconhecido.

Sauron, tenente de Morgoth e agora o novo “Senhor do Escuro” da Terra-Média, percebendo que não poderia derrotar o poder conjunto dos Dúnadein e dos Elfos, permitiu-se ser capturado e levado como prisioneiro até Númenor. Uma vez na ilha ele começa a manipular o Rei Ar-Pharazôn, aconselhando-o a buscar a imortalidade que os Valar lhe negaram e plantando a inveja dele para com os Elfos do oeste. Com isso todo o conhecimento dos Númenorianos começa a ser visivelmente direcionado a encontrar formas de se evitar a morte.

Pressionado por Sauron a entrar em guerra com os Valar em busca da imortalidade e a adorar o seu mestre Melkor ao invés dos Ainur, Ar-Pharazôn cria uma frota colossal e navega em direção a Aman. Os Valar e os Elfos de Valinor, enojados de tristeza diante dessa traição, rezam a Ilúvatar pedindo ajuda. Quando Ar-Pharazôn desembarca nas praias de Aman com seu exército e coloca os pés na praia, Ilúvatar destroi toda a sua frota e afunda Númenor como punição pela rebelião contra os Valar. Todos os Dúnedain em Númenor são destruídos momento (com excessão daqueles que ainda eram leais aos Valar e os Elfos e navegaram para Leste em direção a Terra-Média durante o avanço de Ar-Pharazôn a Aman).

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Eru envia uma onda gigante para afundar Númenor

Com a destruição de Númenor a forma física de Sauron também é destruída mas seu espirito retorna para a Terra-Média. Os númenorianos que aportaram nas praias do continente fundam os reinos de Anor (no norte do continente) e Gondor (no sul do continente). Entre esses sobreviventes estavam Elendil (líder dos númenorianos) e seus dois filhos Isildur e Anárion (que salvaram entre outros tesouros de Númenor uma muda da árvore branca Telperion que era a ancestral da árvore branca de Gondor).

Colaborações

Enquanto os acordes finais da canção são tocados, um vislumbre do que foi, do que é e do que será são ouvidos. A conclusão da saga de criação de Tolkien chama-se “Dos Anéis de Poder e da Terceira Era”.

Nele são descritos os eventos que ocorreram no restante da Segunda e da Terceira Era de Arda. Na Segunda Era Sauron ressurge como um poder na Terra-Média. Disfarçando-se como um Elfo de nome Annatar (Élfico para “o Senhor dos Presentes”) Sauron influencia diversos dos povos residentes no continente, em especial um habilidoso ourives elfo chamado Celebrimbor. Juntos eles forjam os chamados “Anéis de Poder” e os distribuem entre os homens e os anões. Celebrimbor no entanto forja em segredo três anéis para os Elfos, enquanto Sauron, também em segredo, forja seu próprio anel, o “Um Anel”, para controlar todos os outros. Isso acaba levando a guerra entre os Elfos, os Homens e as hordas do novo “Senhor do Escuro”. Essa guerra, chamada de “A Guerra da Última Aliança”, culmina com a derrota de Sauron e o fim da Segunda Era de Arda.

A Terceira Era de Arda começa com o anel de poder indo parar nas mãos de Isildur, herdeiro de Elendil, após a morte de seu pai e seu irmão, fazendo dele o Rei dos Homens e dos reinos de Anor e Gondor. Mas Isildur é emboscado nos Campos de Lis e o anel do poder é perdido no Rio Anduin.

E a canção termina

Assim como toda grande balada, quando a música para e a cortina desce nosso coração continua a sentir as emoções provocadas por aquelas palavras, aqueles sons, aqueles sentimentos. O poder nas palavras contidas em Silmarillion é impressionante. Apesar de relativamente pequeno em comparação com o “Senhor dos Anéis” podemos sentir toda a densidade, todo o pesar e esperança que ele carrega dentro de si. Nada mais justificável dado o tempo que ele levou para ser compilado e apresentado a nós da forma como ele é hoje. E assim como todas as canções que nós carregamos em nossos corações, ele estará sempre presente em nossas mentes e sonhos, nos emocionando e nos inspirando a nos tornarmos melhores, a superarmos desafios aparentemente impossíveis. E a retornar a elas em momentos ruins.

E em momentos bons.

“Por fim Húrin estava sozinho. Ele então desfez-se do seu escudo e brandiu seu machado com as duas mãos; e a cada movimento seu machado fumegava com o sangue negro da guarda de trolls de Gothmog, Lorde dos Barlogs, e a cada vez que Húrin matava um deles ele gritava ‘Aurë entuluva! A manhã retornará!’ Setenta vezes ele pronunciou seu grito; mas no fim eles o capturaram ainda vivo…”

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A batalha entre a luz e a sombra.

Author: Vasco Sagramor

Colunista de RPG e quadrinhos, narrador nacional do LARP Sociedade do Olho da Mente (focado em cenários da editora White-Wolf) e nerd convicto. Apesar da cara de mau um cara divertido, entusiasta de cervejas, bourbons e culinária. Gerente de Projetos de TI para colocar para fora meu lado organizado e controlador, mas com esperanças de partir para áreas de criação, onde posso colocar meu hobby e trabalho na mesma cesta.

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3 Comments

  1. Vasco! post perfeito! cara… eu já tinha muuuuita vontade de ler O Simarilion e me aprofundar na história da Terra Média, agora com certeza vou querer fazer isso o quanto antes! A história é realmente muito profunda e dá pra perceber nitidamente as desarmonias de Melkor nas entrelinhas da criação dos Valar! fantástico *——-* (sou seu fã)

  2. Fabuloso Vasco! Quando li o Silmarillion peka primeira vez confesso q foi uma leirura absolutamente mais complexa e neste post vc elucida muitas das dificuldadee q eu e certamente outras pessoas tambem devem ter encontrado!
    Vou lá pegar o Silmarilluon de novo!
    Excelente post!

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