Pillars of Eternity: vale a pena?

Baldur’s Gate o clássico dos clássicos.

Fala galera! Muita gente não sabe, mas tem muitos games digitais que foram baseados em RPG de mesa. O fenômeno Pillars of Eternity representa um marco nesse seleto grupo de jogos, tanto para os games quanto para o RPG.  Quer saber mais? Vamos nessa!

De onde veio tudo isso?

Tudo começou em 1998 com o clássico Baldur’s Gate. Inovando totalmente os RPG’s para computador através do mecanismo chamado Infinity Engine a Bioware (desenvolvedora do jogo) e a Black Isle Studios (produtora do jogo) tornaram-se referência no mercado. Com o passar dos anos e o lançamento de diversos outros títulos (entre eles o fantástico Icewind Dale e o excepcional Planescape: Torment) ambas empresas estabeleceram um padrão de qualidade (histórias, jogabilidade e usabilidade) que é seguido até hoje.

Mas em 2003, com a falência da Black Isle Studios devido a problemas financeiros, os remanecesntes da empresa (uma subsidiária da Interplay Entertainment) fundaram a Obsidian Entertainment. Nesse novo empreendimento outros títulos de destaque foram lançados, entre eles o South Park: The Stick of Truth e o Pathfinder Adventure Card Game (ainda sendo desenvolvido para tablets).

Pathfinder ACC. Será que falta muito?

Com o sucesso da empresa estabelecido e 14 anos depois do lançamento da série Baldur’s Gate, a Obsidian decide que é hora de presentear os jogadores apaixonados por RPG ao redor do mundo com um sucessor a altura dos clássicos. Em Setembro de 2012 ela lança um financiamento coletivo através do Kickstarter arrecadando mais de 4 milhões de dólares (na época o maior financiamento coletivo para um video game).

Em 26 de Março de 2015 é lançado o Pillars of Eternity para Windows, Mac e Linux utilizando um novo mecanismo de jogo chamado Unity Technologies. Jogadores ao redor do mundo, orfãos de um estilo clássico de jogos para computador, foram ouvidos.

Uma nova aventura começa!

Pillars of Eternity, sucessor espiritual.

Pillars of Eternity, o sucessor espiritual de Baldur’s Gate!

Uma boa história, sempre!

Pillars of Eternity acontece no mundo fantástico de Eora, na nação de Dyrwood. Uma praga assola a nação fazendo com que os recém-nascidos não tenham uma alma. O protagonista do jogo, alguém que pode ver almas e vidas passadas, deve descobrir de onde vem essa sua habilidade e como resolver o problema com os recém-nascidos.

Apesar de contar uma história envolvente, um dos grandes diferenciais do jogo não reside nos seus gráficos fantásticos mas sim na forma como a equipe da Obsidian alterou as regras “baseadas em Dungeon & Dragons” para algo mais orgânico.

Nas palavras do Josh Sawyer (diretor do projeto) eles tentaram fugir das “armadilhas de construção” onde a evolução dos personagens é cansativa devido ao alto nível de planejamento envolvido nelas para que o conjunto correto de pericias e atributos sejam realmente relevantes para os desafios que serão encontrados no decorrer do jogo.

Para tanto a equipe da Obsidian deu uma atenção especial aos atributos dos personagens, fazendo com que eles fossem ao mesmo tempo lineares e abrangentes. Um exemplo citado pelo próprio Sawyer é o clássico bárbaro com um valor alto em força e um valor baixo de inteligência. Em jogos baseados em D&D esse seria um personagem típico. Porém em Pillars of Eternity quem governa a quantidade de dano causado é o atributo chamado de Might (“poder” numa tradução livre). Essa característica não governa somente danos físicos, mas qualquer tipo de dano (como por exemplo danos mágicos). Em contra partida Intellect (ou “intelecto”) fornece aos personagens bônus em todas as durações em qualquer ação realizada. Com isso um bárbaro usando um poder que cause dano em área precisa de Intelecto para que esse dano dure mais tempo. Ou não, caso seja a escolha do jogador causar uma quantidade enorme de dano com uma duração curta. Customizações que façam sentido ao jogador são palavra de ordem em Pillars of Eternity.

Criação de Personagem

A tela de criação de personagens

E a jogabilidade?

Onde os outros RPG’s para computador dizem não, POE diz sim.

A jogabilidade de POE não deixa nada a desejar dos seus antecessores. Combates estratégicos e a capacidade de pausar o jogo para posicionar seu grupo ou escolher que habilidade utilizar para maximizar a ação contra seus inimigos são essenciais para superar os desafios apresentados pelo jogo.

Devolta as raízes.

De volta as raízes.

E o jogo é legal?

Depois de adquirir POE através do Steam (para Linux porque, bem, porque sim!) senti todo o saudosismo de um jogador apaixonado por RPG’s para computador.

Me recordo de quando eu peguei emprestado Baldur’s Gate de um amigo que havia comprado o jogo e não jogado até o fim. Foi uma das minhas primeiras experiências e desde o inicio me apaixonei pela Infinity Engine, pelos locais que os personagens viajavam através de Forgotten Realms (que até então só estavam na minha imaginação) e pela história que se desenvolvia na minha tela. Foram SEIS meses (sim, 6 longos meses!) de pelo menos oito horas por dia até a conclusão do jogo (não trabalhar na época ajudou, mas isso foi no passado quando eu era jovial e dinâmico 😉 ) e sempre que me recordo do prazer que esse jogo me proporcionou eu invariavelmente abro um sorriso.

POE segue pelo mesmo caminho. Com gráficos deslumbrantes, jogabilidade aprimorada e regras revistas ele é um sucessor a altura para os clássicos que abriram caminho para ele. Ainda tenho muitas horas (e meses) de jogo pela frente (afinal não posso mais me dedicar 100% do dia a ele) mas até o momento o sentimento de abandono. Uma nova aventura começou.

E que muitas mais a acompanhem.

Classificação do Vasco

Enredo: 10
Gráficos: 10
Jogabilidade: 10
Desafio: 10
Diversão: 10
NOTA FINAL: 10

 

O que faltou pro 10?

Nada. Mais recomendado, impossível.

Author: Vasco Sagramor

Colunista de RPG e quadrinhos, narrador nacional do LARP Sociedade do Olho da Mente (focado em cenários da editora White-Wolf) e nerd convicto. Apesar da cara de mau um cara divertido, entusiasta de cervejas, bourbons e culinária. Gerente de Projetos de TI para colocar para fora meu lado organizado e controlador, mas com esperanças de partir para áreas de criação, onde posso colocar meu hobby e trabalho na mesma cesta.

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