[STORYTELLING TIPS] Game of Thrones, Backgrounds e o sentido da vida

 ATENÇÃO!!!!

SE VOCÊ É UM AFICCIONADO DA SÉRIE E AINDA NÃO LEU OS LIVROS, TOME CUIDADO COM ESSE POST. ELE CONTÉM ALGUNS PEQUENOS TONS DA NARRATIVA COM OS QUAIS, TALVEZ, VOCÊ AINDA NÃO TENHA ENTRADO EM CONTATO.


“You know nothing, Jon Snow!”

Salve Roleplayers! estou aqui para falar da mais nova sensação medieval do momento no mundo, Game of Thrones! Escrita por George R. R. Martin e mostrada em forma de série pela HBO tem feito um número gigantesco de fãs. Difícil fazer uma sinopse da história para quem não conhece (tem alguém que não conhece?) mas basicamente é a história de uma guerra pelo reinado de Westeros, um continente separado em sete reinos. Parece simples não? pois é… poderia ser uma narrativa superficial de como a guerra acontece, quem ganha e quem perde, mas imagine que ao invés de visualizar tudo de cima, você entre no meio das batalhas, saiba o que cada guerreiro pensa e faz até seu último suspiro, imagine que você possa entrar nos aposentos reais e saber as tramas que acontecem por trás da bela imagem pomposa da realeza e possa também transitar pelas passagens subterrâneas empoeiradas e sujas ouvindo os sussurros de assassinos e mentirosos que conspiram a todo instante a favor de seus próprios ideais. É exatamente isso que George R. R. Martin faz com seus leitores, nos leva para perto das pessoas e nos faz olhar pelos seus olhos, não há amigos ou inimigos, bom ou mau, há simplesmente pessoas e seus demônios.

A série nos mostra capitulo a capitulo a mesma história sendo narrada pelos próprios personagens que a vivem e, assim, conseguimos saber seus medos, seus anseios, seus motivos e razões. Trocamos de lado várias vezes, cada hora imaginando quem possa estar certo ou sendo bom até nos darmos conta de que todos estão certos de acordo com suas crenças, história de vida, filosofia e todos os acontecimentos que os levam a tomar decisões humanas, guiadas pelas emoções, razão, desespero e tantos outros sentimentos que nos regem.

Passamos a odiar aqueles que gostávamos desde o começo ou a amar aqueles que odiávamos, choramos por um assassino frio que morre e comemoramos a morte de jovens. Nos achamos no meio da história tomando partidos e praticamente fazendo parte da guerra dos tronos.

Os livros são talvez até mais violentos e pornográficos do que a série de TV em si e uma das coisas que eu achei muito interessante foi a preocupação com um detalhe (que faz muita diferença e causa muita estranheza) que é a idade dos personagens. Com quatorze, quinze anos, os homens já são escalados para guerra, as mulheres se casam e era exatamente isso que acontecia visto que, na idade média, as crianças eram vistas como adultos menores simplesmente e não como as vemos hoje em dia. Na série de TV, os atores aparentam muito mais idade do que os personagens no livro, mas acredito que isso tenha sido proposital para evitar um choque maior do público.

Nossas atitudes são tomadas a partir do que vivemos e de como nos vemos no futuro

Essa é uma frase clássica do pensamento filosófico existencialista que apareceu muito tempo depois da idade média mas é fantástico como podemos ver esse pensamento permeando todos os personagens. Reparem que todos eles tomam atitudes baseadas naquilo que conhecem e viveram sempre direcionadas àquilo que almejam e isso deixa a história muito mais rica e real além de claro, deixar cada personagem único. É aqui que eu gostaria de trazer o exemplo dos escritos de George R. R. Martin para refletir sobre os jogos de RPG.

Cada personagem da história deve ser exatamente assim, com uma história, um passado rico e que o defina até os dias de hoje e tendo algo que almeja, algum objetivo de vida, isso faz com que nossas personagens sejam únicas em qualquer jogo, em qualquer história, isso nos faz diferentes!

Dentro dessa grandiosa “estória”, também gostaria de destacar a questão do sentido da vida, que é algo muito forte em todas as personagens e praticamente muda o rumo da narrativa diversas vezes. Cada um pensa de uma forma dando valor à própria vida ou não, dando valor à vida dos outros ou não e tendo uma visão de mundo muito particular. Eddard Stark por exemplo, acredita que a vida deve ser vivida com honra, o que o faz chegar onde chegou (para não dar spoilers) e gerar questionamentos como “será que Jon é filho dele mesmo?” “se Jon é filho dele, porque ele o levou para Winterfell?”. Daenerys teve sua vida inteira usurpada, sendo usada como moeda de troca por Viserys e quando se torna poderosa começa a libertar os escravos colocando isso a frente até de chegar a Westeros e tomar o trono para si. O choque de paradigma que ela toma é simplesmente fenomenal tendo que repensar o mundo ao seu redor quando vê que alguns escravos preferiam continuar na escravidão a viver livremente.

Tudo isso me faz pensar e rever todas as narrativas que construo sobre lugares e personagens. O quão rico um mundo, uma pessoa, uma cena, até mesmo uma atitude pode ser quando confrontada com o background, sua história de vida, suas possibilidades de futuro e todas as influências de outras pessoas, cada qual agindo de acordo com suas paixões.

Você que não leu, leia! você que já leu, leia novamente! ou ao menos pare para analisar a história e veja que não é a toa que Game of Thrones faz tanto sucesso!

Apesar de ter vários personagens que eu gosto muito, Daenerys, Jon Snow e Tyrion são os trio que eu mais boto fé. Acredito fielmente que eles mudarão o rumo da história de Westeros de uma forma totalmente inusitada! Veremos!

Comentem o que acham, suas teses de como acabará a história (SEM SPOILERS), afinal, ainda faltam dois livros para que tudo acabe… ou comece novamente!

Author: Eduardo Vancsek

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2 Comments

  1. Muito interessante, lembra o livro A Guerra dos Tronos e a Filosofia (recomendo)

  2. deu ate vontade de ler agora hahaha
    a analogia que você fez da historia e todo seu conteúdo com o nosso cotidiano me faz querer ler o livro e realmente me sentir na pele de cada personagem.

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