D&D aprendendo hoje o que Tormenta faz desde 1998!

Chris Perkins, o designer que lidera o tradicional Dungeons & Dragons na Wizards of The Coast, deu uma entrevista ontem para a Polygon dizendo que o time de game design pretende embasar o jogo cada vez mais na história, dando mais liberdade de criação ao narrador e descartando cada vez mais a prioridade das regras sobre o enredo.

Uma mudança bem nítida para quem acompanhou as guinadas que foram dadas nas três últimas edições do jogo, né?

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Já tem muita gente sonhando quando é que o Drizzts vai pra telonas do cinema!

Perkins ainda atribui essa inspiração ao universo cinematográfico da Marvel, que os incentivou a fazer com que a trama envolva personagens, locais e criaturas icônicas para os fãs, de forma a conquistar mais fãs para o universo do D&D seja nos videogames, quadrinhos, tabuleiros ou no RPG.

“É um ‘tipo Marvel’ de abordagem, no sentido que a Marvel percebeu que os quadrinhos são o pilar espiritual da sua marca, e que os filmes são uma forma mais popular de fazer com que um número maior de pessoas reconheça seus personagens principais e procure pelos quadrinhos para entender de onde veio isso tudo.

 

“Agora o D&D agora é um jogo de muitas gerações. Estamos seguindo para essa abordagem onde a história vem primeiro. Não importa se essa história vai se manifestar como um RPG ou qualquer outra coisa.”

Perkins também confirmou que eles continuarão com as sequências de campanhas planejadas do primeiro ao décimo quinto nível, seguindo com o sistema de temporadas, como foi com a Tirania dos Dragões e com o atual Templo do Mal Elemental, que o Cobbi está narrando lá no canal do AzeCos.

Aqui no Brasil isso não é assim tão novidade…

Em 1998, Marcelo Cassaro era o editor-chefe da Revista Dragão Brasil e — em conjunto com os editores assistentes Rogério Saladino e JM Trevisan — escreveu a aventura Holy Avenger para AD&D e GURPS lançada nas edições 44 e 46 da revista.

Desde então o cenário do RPG no Brasil nunca mais foi o mesmo.

Na comemoração da edição de número 50 da revista, eles decidiram lançar o cenário chamado Tormenta como um encarte-brinde.

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Quem olha meio assim pensa “Ah! São só três revistinhas de jornaleiro né?” Tsc, tsc, tsc… Ledo engano.

O sucesso foi tão grande que tiveram que ser feitas novas edições separadas para o cenário. A própria Holy Avenger ganhou um HQ completa, estilo mangá, com a arte de Érica Awano ilustrando os roteiros do Cassaro.

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O poder do mangá a favor do RPG!

E o que isso tem a ver?

Tem a ver que, muito estrategicamente, os quadrinhos de Holy Avenger serviram como um abre-alas de sucesso para a entrada de Tormenta no cenário do RPG nacional.

E Holy Avenger fez história. Não é a toa que ganhou uma edição de luxo, em capa dura e tudo.

Esse mangá foi o responsável por conquistar muitos fãs tanto para Tormenta, o cenário de RPG, quanto para o próprio jogo em si.

Muita gente começou a jogar RPG na expectativa de viver histórias onde visitassem os mesmos lugares que os protagonistas do mangá se aventuravam, talvez até encontrando um deles vez ou outra.

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Aquela coisa de encontrar o seu personagem favorito na taverna, sabe? 😉

Criando essa paixão toda pelo fantástico universo de Tormenta, não é pra menos que este seja conhecido como “o cenário de RPG mais jogado no Brasil”.

Duvida? Procure em blogs e fóruns digitais e você encontrará uma infinidade de material produzido pelos fãs nos mais diversos níveis de qualidade e acabamento, do mais amador até o mais profissional.

E essa estratégia não parou por aí não…

Leonel Caldela alçou fama como escritor através da Trilogia Tormenta. Romances e quadrinhos oficiais continuam sendo publicados até hoje.

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A literatura é uma tremenda porta de entrada pro RPG, acredite!

Ano retrasado, até mesmo um game que se passa no cenário do jogo foi financiado coletivamente, levantando mais de R$ 74 mil reais entre os fãs desse universo.

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Sim, foram R$ 74.575 arrecadas entre os fãs para criar UM GAME de Tormenta! (que depois virou suplemento de RPG)

E mês passado, a Jambô lançou o primeiro livro-jogo ambientado no cenário.

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…e o sistema de temporadas? Isso é novidade né?

Bom, na verdade não.

A Paizo já tinha vindo muito antes deles com essa proposta.

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Um sucesso, aliás.

…mas “temporadas” num cenário de RPG nacional?

Pra não sair do Tormenta RPG, você já leu o Guerras Táuricas?

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Um Império de minotauros de um jeito que você nunca viu. \o/

Ele é a temporada atual do cenário de Tormenta.

Viu só, sem novidade. 😉

E, falando em temporadas do cenário de Tormenta, pelo visto você vai ter a chance de acompanhar o nascimento da próxima!

A estratégia vai continuar!

Essa semana, Tormenta sagrou-se como o primeiro cenário de RPG do mundo a lançar uma mesa online ao vivo onde o futuro do cenário será decidido por autores e fãs que dividem a mesma mesa de RPG.

Essa iniciativa de dar a um grupo que está jogando RPG ao vivo a prerrogativa de conduzir o futuro de um universo de ficção é inédita no mundo todo.

Bacana, né?

Ás vezes a gente não se enxerga direito, né? 🙂

No universo do marketing, a criatividade brasileira é reconhecida internacionalmente.

Pensando jogos de forma mais ampla, nossos jogos de futebol também são mundialmente famosos. Há décadas que nossos atletas tem muito destaque nos melhores campeonatos de artes marciais.

Mais perto do “universo nerd”, gigantes como a Blizzard tem aberto escritórios locais. Os jogos de última geração já chegam dublados em português brasileiro aos nossos consoles. Pra completar, ultimamente também estamos ganhando espaço nos e-sports.

Em suma, o Brasil tem transbordado os campos de futebol e se destacado como uma potência no mercado de entretenimento dos jogos.

Já imaginou quando lá no meio for uma mesa de RPG?

Já imaginou quando lá no meio for uma mesa de RPG?

É incrível como, certas vezes, a gente se subestime tanto a ponto de não enxergar como já fomos, somos e continuaremos sendo pioneiros e visionários quando o assunto é RPG.

Author: Liz Oliveira

Libriana, bailarina oriental, terapeuta holística, narradora roleplayer, casada com um paladino, mãe de cinco gatos, adora cozinhar e é apaixonada por literatura fantástica, maquiagem, cristais e por contar histórias.

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29 Comments

  1. Olá. Moça, muito boa a postagem. Só tenho um adendo porque Tormenta começou a fazer isso a partir da experiência do próprio D&D na época da TSR, onde muitos locais no jogo surgiram a partir dos romances. Posso citar alguns lugares de Forgotten, como Maztica, e muitos domínios de Ravenloft, que surgiram primeiro em romance e obras, pra depois ir pro jogo. Sobre o esquema de temporadas, também ocorria no D&D da TSR, principalmente em Ravenloft, com as grandes sagas como “A Grande Conjunção”, que inclusive mudou todo o mundo. Fora esse adendo, está de parabéns pela iniciativa das pessoas prestarem mais atenção nas obras nacionais e não a desvalorizarem só por serem brazucas. 🙂 Bonanças.

    • Oi Leishmaniose! Então, o intuito não foi nem criticar, nem jogar confete, foi só fazer perceber que o D&D começou com a “receita” que dá certo mas se desvirtuou no meio do caminho e agora retoma a estratégia porque os fãs (e o mercado também) vivem essa expectativa! Mas obrigada pelo adendo porque nos dá oportunidade de prestar esclarecimento e pela sua atenção!

      Bjs d20!

  2. Primeiramente parabéns pelo artigo, sou um grande fã do cenario de tormenta onde pude narrar e jogar algumas das mais interessante aventuras, alias meu primeiro personagem foi para o sistema D20 foi criado neste cenario, isso ha mais de 15 anos, acredito ser pertinente algumas considerações, mas não podemos esquecer do obvio, é fato e inclusive os autores ja falaram isso diversas vezes que boa parte de suas inspirações vieram do D&D ou talvez AD&D, até mesmo a Paizo tem suas raízes de sistema D20, sendo assim podemos dizer que embora o D&D esteja fazendo algo, que outras editoras ja vem fazendo ha algum tempo, essas mesmas editoras o fazem por inspiração do D&D…
    E sim, até que enfim eles resolveram mudar pra melhor (assim espero), pois é um mercado exigente e dificil de vender.
    até mais!!!

    • Vlw Eric! Nosso intuito não foi criticar não, nem comparar, nem dizer que D&D copia os outros ou vice-versa, foi só abrir o insight de retomada de estratégia ou de “estilo” como alguns gostam de atribuir, de uma coisa que o Tormenta começou e manteve estrategicamente até hj, vincular histórias com cenários e sistema! Estamos felizes também por eles terem retomado essa linha! 😉

      Abs!

    • Não estamos comparando não RPGista Safadão! Foi só discorrer sobre estratégia de produto msm! D&D fez isso e seguia muito bem no passado, aí mudou o foco e perdeu força. O nosso Tormenta nacionalzão continua fazendo até hj e talvez por isso seja de longe o cenário mais jogado no Brasil!

      Cê tá vendo treta onde não tem!! rsrsrsrsrs 😉

      Abs!

  3. Com todo respeito, mas a matéria mostra falta de conhecimento da história do RPG. Nada dito foi inovado pelo Tormenta. Espero que esse artigo não tenha sido influenciado pelo fato da roleplayers ter sido chamada pro jogo que vai definir o futuro do cenário, rs.

  4. Excelente matéria pra não nos esquecermos que o RPG nacional tem força sim!
    Bjs

  5. Não sei se eu posso comentar isso aqui, não sei como anda a briga entre sistema D20, Tormenta, 3DT, essas coisas, mas eu sempre fui um “seguidor” do Trio Tormenta (Cassaro, Trevisam e Saladino). Nos anos 90 era realmente difícil conseguir jogar RPG. Os livros de Dungeons and Dragons era absurdamente caros, grandes, complexos… isso elitizava o RPG, tornava restrito a certos círculos. Com o surgimento de 3D&T e do universo de Tormenta, o RPG se popularizou por ser barato e simples. A visão dos editores foi genial, e não sei se eles conseguem ter uma noção da dimensão que isso tem. Por causa de sua visão mais aberta para a adaptação do RPG, eles fizeram uma certa revolução na área da educação, porque graças ao RPG, as pessoas passaram a se interessar mais pelos assuntos da escola. Existe uma geração inteira que agradece a essa popularização do RPG pelo bom desempenho que eles conseguiram no período escolar.

    RPG e Educação estão super relacionados, e se há popularização, melhor. As coisas devem ser do direito de todos. Se existiu preconceito com 3D&T e Tormenta, garanto que a maior parte foi graças ao seu baixo custo e simplicidade. Houve gente dizendo que Tormenta copia descaradamente os sistemas estrangeiros. Até aí tudo bem, porque D&D não é lá nada original também, já que grande parte da sua base é uma cópia descarada do universo de Tolkien, Rei Arthur, Lendas e Eventos Medievais, Mitologia Nórdica…

    Se Tormenta copiou descaradamente certos universos ou histórias, então eu descaradamente agradeço, pois eles estavam descaradamente nos fazendo um grande favor cultural.

    Obrigado Cassaro, Trevisam e Saladino.

    Matheus Vieira – Professor de Inglês (e amante de história, graças à 3D&T e Tormenta).

    • Oi Matheus!

      É sempre gratificante saber que além de um hobbie as pessoas podem usar o RPG como ferramenta para complementar outras coisas essenciais como a educação!

      O intuito do post não foi julgar ninguém de plágio ou eleger o melhor ou pior sistema, só pontuar como essa coisa de história + jogo funciona bem, como as pessoas já gostavam disso no passado e continuam gostando mesmo passando as gerações!

      Gratidão pelo seu depoimento!

      Bjs d20!

  6. Saudações aventureira!

    Interessante matéria, só começou e terminou errado. Dungeons and Dragons é um SISTEMA, que está em constante aperfeiçoamento desde 1974, e contém DIVERSOS CENÁRIOS, dentre eles, o que a 5ª Edição está mais trabalhando (Forgotten Realms / Neverwinter / Sword Coast), mas deixando livre a adaptação para outros. A questão de aventuras interligadas é receita velha desde a TSR, bem como não vou nem comparar a quantidade de produtos e romances lançados inspirados ou mesmo para aumentar o conteúdo desses mesmos cenários.

    Já o Tormenta é um CENÁRIO, no qual passou sim por vários sistemas (D&D, 3D&T, Daemon e agora no D20), que por curiosidade, foi desenvolvido pela equipe do Dungeons and Dragons. Não tiro o mérito do Tormenta e o que ele representa para o nicho nacional de RPG, mas comparar Tormenta com Dungeons and Dragons é a mesma coisa de comparar Software com Hardware.

    Creio que não exista rivalidade entre as duas franquias, já que uma deriva da outra, né?

    Boas jogadas!

    • FFenrirX falou tudo na última frase, as franquias não são rivais e nem foi essa a intenção do post rs

      O que estamos frisando aqui é que Tormenta (que é um sistema também) não parou com a receita que D&D largou dentro do caixote e que fazia sucesso. Agora alguém resolveu trazer de volta aqueles bolinhos de chuva com cheiro de vó e polvilhar açúcar com canela em cima! Tormenta sempre seguiu a tradicional receita e seus bolinhos de chuva são os mais populares do Brasil! hmmm acho q vou até cozinhar depois desse comentário rsrsrs

      Bjs d20

  7. Well, apenas alguns detalhes que não são mencionados pela autora.

    Lançar romances, jogos (licenciados) e livros-jogos baseados em RPG eram/são práticas incrivelmente comuns da TSR/Wizards of the Coast desde os anos 80 (Forgotten Realms tem facilmente mais de uma centena de novels, Dragonlance idem) sem contar a White Wolf/Onyx Path nos anos 90 (A série Clan Novels de Vampiro: a Máscara).

    Vide:
    http://forgottenrealms.wikia.com/wiki/List_of_novels_in_order_of_publication
    https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Dragonlance_novels
    http://whitewolf.wikia.com/wiki/List_of_Classic_World_of_Darkness_fiction
    http://www.dungeonmastering.com/gaming-life/top-10-dd-crpgs

    O sistema de temporadas sequer remonta a Paizo, mas sim à RPGA e sua revista Polyhedron. A história disso é um pouco longa, mas a RPGA tinha as “bencãos” da TSR para conduzir uma série de aventuras/campanhas ambientadas em cenários da TSR, com um conjunto de regras comuns e que permitia aos afiliados da RPGA fazerem parte disso. Essas campanhas eram da série “Living” e começaram com Living City em 1987, ambientada na cidade de Raven’s Bluff em Forgotten Realms (até mesmo um livro escrito por fãs e editado pela TSR foi lançado, o Gateway to Raven’s Bluff – e era exclusivo aos afiliados da RPGA). Dessa parceria surgiram uma série de campanhas em outros locais, como Living Greyhawk (dos anos 2000), que provavelmente foi a maior e mais extensa, durando uns 7-8 anos e deixando o cenário praticamente nas mãos da RPGA (vide: http://www.wizards.com/default.asp?x=lg/welcome). A Alderac praticava algo similar com Rokugan, primeiro utilizando os torneios de L5R para definir os rumos do cenário, mas depois até mesmo os os jogadores da quarta edição de L5R passaram a fazer o mesmo com as aventuras em convenções.

    E mesmo as Living Campaigns não eram algo muito novo – nos primeiros anos do hobby, a TSR (e outras empresas) tinham Adventure Modules em sequência que eram lançados para serem jogados (até mesmo de forma competetiva) em Convenções.

    Ou seja, com a exceção da influências da mesa online ao vivo (que não é exatamente uma novidade – vide as mesas online de D&D no PAX), é possível manter as palavras do pregador no Eclesiastes: nada há de novo debaixo do sol.

    • Oi ElvenPaladin!

      A gente não quis desmerecer nenhum sistema não, só ressaltamos que D&D teve que retomar a receita antiga que Tormenta manteve desde que lançou!

      Estamos dando ênfase a Tormenta por ser um produto nacional de sucesso no Brasil. Copiar, reinventar ou mudar só uma coisa aqui e outra ali é do ser humano e nem só pra RPG, mas que é legal toda vez que alguém inova seja no visual, regras ou cenário é inegável! 😉

      Que bom que eles voltaram!

    • Olá ElvenPaladin,

      Agradecemos suas referências, mas é bom esclarecer que não declaramos que a inovação de Tormenta está em quadrinizar ou romancear um cenário. Nem em colocar o destino de um cenário nas mãos de jogo organizado. Isso é bem antigo mesmo.

      Contudo, embora existam alguns previews e “sneak peeks” das temporadas de D&D nas aventuras do Acquisitions Inc. narradas pelo próprio Perkins na PAX, não me recordo de terem sequer influenciado diretamente o cânone de nenhum cenário da Wizards.

      E mesmo que isso tenha acontecido (e tenha passado batido por nós), na minha opinião o Acquisitions está ao lado do Critical Role como a vanguarda do RPG mundial. Nesse sentido, só de acompanhar isso a mesa de Tormenta na Estalagem do Macaco Caolho se encaixa nesse time que lidera uma poderosa inovação dentro do nosso ramo de entretenimento, tanto dentro quanto fora do Brasil. Isso representa um tremendo avanço pro RPG brasileiro, um motivo de orgulho pra todos nós.

      A essa vanguarda brasileira também pertencem algumas feras brazucas como Gruntar, Azecos e New Order. Todos profissionais que respeitam os ombros dos gigantes onde se apoiam para chegar tão longe e que merecem todo o respeito que recomenda esse mesmo livro que vc citou. 😉

      • Liz Oliveira

        Mas D&D não teve que retomar nenhuma antiga receita – as séries de campanhas, quadrinização, lançamento de romances e jogos licenciados foram contínuas desde que passaram a ser utilizadas, mudando apenas com quem a TSR/Wizards mantinha parcerias/licenças (ou quando a RPGA foi praticamente chutada em favor do D&D Adventurers League).

        A mudança é mais de “branding” (a nova palavra da moda em indústria cultural :)) e de presença/influência de mídia (abandonar a “Mídia de RPG” e Convenções de RPG em prol de “Mídia Geek” e Convenções Geeks), não de desenvolvimento de produtos (bom, eles praticamente chutaram o lançamento de livros de RPG para o absoluto mínimo que garanta presença de mídia – mas o licenciados continuam firmes e fortes).

        O que me surpreende é a Wizards ainda não ter investido no mercado de aplicativos, dado que eles experimentaram com algum sucesso algo similar no D&D Insider da 4e Era – e fracassaram em terceirizar isso.

        Bruno Cobbi

        Contudo, embora existam alguns previews e “sneak peeks” das temporadas de D&D nas aventuras do Acquisitions Inc. narradas pelo próprio Perkins na PAX, não me recordo de terem sequer influenciado diretamente o cânone de nenhum cenário da Wizards.

        Mas eu não afirmei isso, basta reler esse trecho da mensagem: “Ou seja, com a exceção da influências da mesa online ao vivo (que não é exatamente uma novidade – vide as mesas online de D&D no PAX),”

        Que admito, tem duas possíveis interpretações devido a maneira que escrevi.

        • Vou tentar ser mais claro, ElvenPaladin.

          O que você afirmou é que não há “nenhuma novidade” na forma como a Jambô vem conduzindo Tormenta aqui no Brasil. Isso não é verdade. A Jambô se uniu a uma elite brasileira que está revolucionando a forma como RPG é feito aqui e no mundo. O post traz inúmeros exemplos, reconhece e respeita quem acha coerente.

          A “receita antiga” à qual a Liz se refere é “essa abordagem onde a história vem primeiro” que o próprio Perkins declarou no Polygon que está redescobrindo com o time de game design dele.

          Sua visão de branding também é no mínimo curiosa. Quando a Wizards sai do nicho do RPG e amplia o escopo do D&D para o universo nerd/geek, isso não se trata de uma simples mudança de percepção de marca e sim de uma ampliação de estratégia de negócio — ela ganha portfólio de produtos e serviços tocando com mais solidez (e sucesso) mercados maiores como os tabuleiros, miniaturas, videogames e, quem sabe um dia, o cinema. Isso vai muito além de branding.

          O que você disse sobre o mercado de aplicativos do D&D também não é verdade: houve muito investimento e sucesso em terceirização sim. Em abril a Wizards lançou a Dragon+, que foi relativamente bem recebida pelos fãs. Na parte de jogos, eles lançaram a versão tablet do clássico Baldur’s Gate e as versões para iOS e Android do Lords of Waterdeep. Dentro do universo das mesas online eles fizeram uma poderosa aliança com o Fantasy Grounds e os quadrinhos oficiais foram disponibilizados ao longo de todo o primeiro semestre pela plataforma do Madefire. Como eles já tiveram péssimas experiência com o mercado de apps para criação de personagens (vc se lembra do E-Tools?) duvido que sigam em qualquer sentido essa linha. Dentro do que está sendo cogitado atualmente como nicho possível dentro do entretenimento, ainda resta alguma coisa a explorar?

  8. Sempre mestrei em Tormenta desde a edição da Daemon Editora e depois ainda joguei no D20 versão 3.0, nas qndo vi a quinta edição olhei e comentei que era plágio, eles tinham copiado mtas das regras e ideias do sistema de Tormenta.

    • É no mínimo curioso acusar D&D Next de plágio de Tormenta, ainda mais quando Tormenta RPG é nitidamente inspirado em Star Wars: Saga que a própria Wizards of the Coast lançou anos antes do Tormentão. Não que D&D Next não tenha utilizado elementos de outros RPGs, obviamente (Inspiration e a Personalidade são uma versão tosca dos Aspects de Fate, por exemplo).

      Lembra uma situação engraçada que vi, onde fãs de Gears of War acusavam Warhammer 40k: Ultramarines de ser uma cópia GoW.

    • Oi Pablo!

      Criar, reinventar e melhorar está e sempre estará com o ser humano, não só no RPG, aí a gente vai conhecendo e elegendo os que mais nos agradam né!?

      Bjs d20

  9. Sabe do que mais? Fazemos uma porção de coisas, com bem menos recursos! Pensar que o Holy Avenger veio de uma editora relativamente pequena e teve tanta longevidade é um tanto quanto assustador.

    Mas a grande graça dessa grande história está em sua própria simplicidade. É uma história baseada em tropos de RPG mas que entretem não só o RPGista. É extremamente eficiente e brutalmente simples.

    Por trás de toda a superprodução de jogos de luxo com orçamento na casa dos milhares de dólares a Wizards pode custar a ganhar sua tão sonhada renovação de público. Eu ainda prefiro a simplicidade de um RPG simpático e com uma proposta muita bem definida.

    • Oi Guilherme!

      Valorização do produto nacional, é o que às vezes falta pra nós mas estamos aprendendo, seja copiando o que faz sucesso, inovando e vendo os outros copiarem tb! rs

      Abs!

  10. Oi pessoal,

    O Trio nunca escondeu que Tormenta nasceu altamente influenciado por D&D (especificamente por Dragonlance e Forgotten). Contudo, isso foi há mais de quinze anos atrás, na golden age do D&D. Não é a toa que TSR, RPGA e outros “fósseis rpgísticos” foram desenterrados aqui. Não escrevemos nada diferente disso.

    Outra coisa que precisa ficar clara é que nunca dissemos que a Tormenta inovou com quadrinhos, romances ou jogo organizado. A reflexão que trouxemos é que o D&D preferiu privilegiar a parte mecânica por muitos anos, levando o “RPG pelo RPG”, enquanto Tormenta assumiu (e nunca abandonou) esse estilo mais narrativo, que coloca o cenário e os personagens acima das regras, “essa abordagem onde a história vem primeiro” que o próprio Perkins declarou no Polygon que está redescobrindo com o time de game design dele.

    Só pra esclarecer, por sermos profissionais, é natural que estejamos sempre de olho no panorama geral do mercado, mas sempre mais atentos e dedicados aos produtos com os quais estamos trabalhando — D&D 5E na Adventurer’s League na Geek House Azecos, A Lenda dos Cinco Anéis no nosso Hitbox e agora Tormenta, lá na Estalagem.

    A ideia desse post nasceu num papo entre os narradores da equipe dentro do nosso grupo de WhatsApp sobre a mesa de Tormenta na Guilda do Macaco. Nesse sentido, dá pra dizer sim que o post foi influenciado pela contratação da Jambô. Nada além disso.

    Somos tão fãs de D&D quanto de Tormenta — e de Dust Devils, GURPS, L5R, MdT, Trevas, Savage Worlds, Tagmar, FATE, Dungeon World, Dungeoneer, Millenia, Dogs in the Vineyard, Violentina, Deadlands…

    Enfim, somos fãs de RPG. Porém, somos muito fãs do RPG brazuca. 🙂

    Temos muito orgulho que um produto nacional tenha demonstrado e sustentado uma visão que o pioneiro e atual líder de mercado precisou abrir mão e pastar alguns anos antes de reconhecer o valor.

    E não é guerrinha de sistema, é um puta orgulho do nosso jeito moleque de jogar RPG. 😉

    Só isso.

  11. Creio que a intenção não foi desmerecer nenhum sistema ou acusar de “plagio” sistema A ou B.

    Tormenta sim derivou de D&D (e qual não derivou), muito de Star Wars Saga, Pathfinder. D&D por sua vez tem elementos de Tolkien, Lendas Arturianas, Vitorianas, nórdica, etc.

    Pelo que entendi aqui, a ideia é valorizar o cenário nacional, feito com menos recurso e visibilidade.

    Concordo que faltou mencionar que a Wizards/TSR possui sim uma linha de romances, Ravenloft, Forgoten Realms, Dragon Lance, isso sem mencionar a White Wolf…

    Matéria muito boa a meu ponto de vista, só poderia ter um esclarecimento melhor sobre a ideia principal, Do D&D tudo foi criado, houve varias estratégias, espero que voltem a valorizar cada vez mais cenário ao invés de transformar em um jogo de miniaturas.

    Esse é o trunfo de Tormenta, você não apenas quer jogar TRPG, mas quer jogar em Arton.

    Existe isso em D&D, sim, mas infelizmente nem todos podem ter a coleção de drizzt do’urden (incrível por sinal) e acompanhar cada mudança em Costa da Espada ou Águas Profundas no mundo de Faerun.

    Na minha opinião TRPG é mais D&D que a própria 4E, parece que isso está sendo corrigido então não tenho nenhum problema de jogar Arton em TRPG ou na 5ED.

  12. Olá galera,

    Estou passando aqui somente para dizer que, graças ao livro “A Libertação de Valkaria” eu não só conheci como também passei a ser fã de tormenta. Sou mais um exemplo, além de vários outros, de q a estratégia de tormenta é muito boa.Espero q o RPG nacional continue crescendo, assim como esse excelente cenário.

  13. Gostei muito do artigo, confesso que quando mais jovem tinha um certo preconceito quanto a tormenta em comparação com D&D, mas logo percebi que isso era fruto de opiniões alheia acostumadas com a utilização somente de material estrangeiro, rapidamente me dei conta que precisávamos e que ainda precisamos valorizar o material nacional.
    Parabéns!

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