[CRÍTICO!] A narrativa em The Last of Us

The Last of Us é um game para a plataforma Playstation 3 que tece uma narrativa fascinante. Você já sabe o que eu penso a respeito do papel de um narrador e nesse post vou aprimorar ainda mais essa visão de forma técnica enquanto falo dessa incrível narrativa interativa criada pela empresa Naughty Dog.

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Os últimos serão… Um sucesso?!

The Last of Us é um game exclusivo do PS3 e alcançou a marca de 3,4 milhões de unidades vendidas no mundo em apenas três semanas. Isso rendeu elogios até mesmo da poderosa Microsoft. Diversos fatores foram responsáveis por esse estrondoso sucesso, entre eles o belíssimo marketing feito pela Sony. Entretanto, eu diria que, acima disso, o fator decisivo foi uma palavra que eu adoro: o equilíbrio. A trilha sonora, feita pelo já ganhador do Oscar, Gustavo Santaolallaretrata o clima denso de maneira magistral. A variedade de cenários e personagens. O jogo surpreende o tempo todo, nunca deixando determinada situação óbvia ou muito batida. A rigor, TLofU é um jogo de sobrevivência e espionagem (survivor stealth). A câmera em terceira pessoa é bastante linear e as surpresas são focadas na narrativa. Você caminha com seu personagem até um determinado objetivo e, ao chegar, a recompensa é assistir uma cena da história, o que remonta toda uma geração passada de jogos, na qual isso era muito comum.

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A catástrofe do… Fungo?!

Basicamente, o jogo te coloca no controle de dois personagens: Joel, é o protagonista e Ellie é a coadjuvante. Ambos são sobreviventes de um holocausto provocado quando um fungo (!) contaminou e devastou o planeta criando uma verdadeira distopia. As pessoas contaminadas por esse fungo acabam tendo um comportamento agressivo, atacando e contaminando outras pessoas com algo bem parecido com a doença da raiva. As pessoas vivem em comunidades fechadas, “protegidas” e controladas a punhos de ferro por milícias. Qualquer contaminado acaba sendo executado rapidamente. Fora desses guetos, o caos impera. Gangues, pessoas contaminadas, comunidades independentes. Vinte anos após a contaminação, Joel trabalha como um contrabandista e tem uma marca profunda em seu coração. Quando ele mesmo achava que seu “velho eu” já estava esquecido, as circunstâncias colocam uma menina de 14 anos a sua frente, algo que o assusta mais que enfrentar os contaminados.  Nisso já da para ver que TLofU não se trata de roteiro superoriginal, e sim de uma proposta narrativa muito envolvente, em que os personagens cativam mais e mais os telespectadores jogadores do roteiro base. A dramatização é incrível: o passado de Joel vem a tona a todo momento de maneira subliminar. Os jogadores acabam se vendo em várias situações adversas, nas quais não há heróis e sim pessoas desesperadas para sobreviver. O próprio Joel é um anti-herói, tomando por diversas vezes atitudes violentas e fora do julgamento comum. The_Last_of_Us_Dev_Diary_PS3_Naughty_Dog

A primeira regra do The Last of Us é…

Algo que realmente me chamou atenção em TLofU foi a discussão moral expressa na narrativa. O jogo trata de temas adultos e pesados de maneira brilhante, a exemplos de filmes como Onde os fracos não tem vez ou Clube da Luta. A luta entre egoísmo e companheirismo, ou individualidade e coletividade, é constante e isso é muito marcante, gerando ansiedade e expectativa. Além da mudança gradativa dos personagens — eles não permanecem num comportamento linear conforme os capítulos, mudando suas opiniões do início ao fim —, o jogo mostra, por diversas vezes, cartas e diários de pessoas que morreram em um determinado local, contando um pouco do que aconteceu antes do fim derradeiro, reforçando novamente uma narrativa onde, a exemplo do Cargueiro Negro em Watchman, conseguimos sentir uma dramatização além do roteiro base.

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Quantidade VS. Qualidade

TLofU me inspirou como narrador da Roleplayers por dois motivos: ele bebe de uma fonte que agrada muito que é o cinema; faz drama sombrio e crítico fugindo do que se vê hoje nos tantos lançamentos de jogos que usam pastiches do mesmo jogo com nomes diferentes. Mas o ponto alto é a interação narrativa com começo, meio e fim nesse game — brilhante, diga-se de passagem. TLofU me fez perceber que não precisamos de um jogo longo para termos uma experiência narrativa excelente. Pensando nisso, passei a pensar muito mais no tema dramático e filosófico em minhas narrações. É claro que os jogadores querem sentir a emoção de aventura e do combate, mas muitas vezes a diversão pode estar em um diálogo escondido com um figurante ou em um bilhete atrás da porta. Até mesmo em decisões fortes, que, dependendo da escolha, o personagem se salvará, mas prejudicará muitos por isso. Isso é correto? Isso é moral? A decisão caberá a cada um de nós.

 

Segue abaixo uma entrevista com Gustavo sobre a Trilha sonora do jogo e um video homenagem feito pelo Johnny Menezes do canal Olha o Johnny:

 

 

Vinicius Mantovan

Author: Vinicius

Diretor, colunista e coordenador da Roleplayers, tento espalhar um pouco da minha divertida utopia pelo mundo na esperança de mudar alguém. Apaixonado pelo Design Gráfico e tenho essa profissão como foco e ferramenta para espalhar minha criatividade, algo que valorizo muito.

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2 Comments

  1. Tudo o que eu li aih foi
    Jogue isso agora! Está fazendo o que parado aí? Vá e jogue agora! AGORA! AGOOORAAA!!!!

    E por isso estou me sujeitando a joga-lo. USAHUSAHUSAHUSAUHSA
    muito bom, de verdade!

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