[COBERTURA] 1° X5 Mega Arena

Olá Roleplayers, este é o primeiro post sobre Electronic Sports ou e-Sports do site. Esse post vem direto do evento XMA (X5 Mega Arena), o primeiro evento focado em E-Sports do Brasil! Junto com a X Mega Anime e a FestComix (até temos um post feito pela nossa querida Thais Petuyna!) A Roleplayers esteve presente na X5 Mega Arena no Sábado (03/05), buscando tudo que há de novo no mundo dos eletrônicos, visitando as grandes atrações e lançamentos, como o Espaço OnGame e a estréia de seu novo MoBA chamado Chaos Online. 20140503_161441 A SAGA estava presente por lá também, expondo seus magníficos trabalhos e também dispondo consoles de PS4, XboxOne, PS3 para os visitantes poderem se divertir. IMG-20140507-WA0097

UM TELÃO DE JUST DANCE 2014 para galera poder dançar bastante aos sons das músicas que embalaram os Hits do youtube, como Lady gaga, Katy Perry e muito mais e outras que não poderiam ficar de fora como Glória Gaynor e Village People! 20140503_161650 A KabuM.com.br também fez bonito no XMA com seu estande oferecendo muitas máquinas livres para os jogadores desfrutarem de seus jogos com a maior potência e gráficos! 20140503_161823 Mas o foco da XMA era o campeonato de CombatArms e League Of Legends. O Lugar estava lotado, quase não tinha lugar para sentar e também foi uma surpresa ver tanta gente torcendo para os times profissionais dos jogos eletrônicos. A energia do lugar era muito boa, a vibração de cada morte, cada torre destruída e cada partida vencida, cada passo dos jogos era seguida por palmas, assovios e gritos da torcida que ficava pertinho dos jogadores. 20140503_13352320140503_133503

Mas a Roleplayers tem uma surpresinha exclusiva! Eu (Renan) entrevistei os narradores e comentaristas da Agência X5 e alguns jogadores profissionais de League of Legends.

Entrevista com Gustavo “MELAO13” Ruzza

Roleplayers: Estou aqui com um dos maiores casters do Brasil, Gustavo “MELAO13” Ruzza! Meu convidado especial.

MELAO13: [Risos]

R.: Melão, qual é sua opinião sobre o atual cenário brasileiro de League of Legends?

M13.: Em primeiro lugar, é um prazer estar aqui com você. E depende muito do que você quer saber, na minha opinião, em termos de nível e de jogos. Eu me divirto narrando e acho o nível bem alto de pessoas que assistem, mas se baseando no cenário internacional, chega a ser pequeno, não dá pra enganar. Acho que a gente poderia bater de frente com alguns times de fora, mas o sonho de competir em um mundial tá longe ainda. E em termos de estrutura está melhorando muito, temos organizações de equipes muito fortes, o que a KabuM faz eu acho incrível, eles tem um time de basquete e eles tratam o time de e-sport do mesmo jeito, eu acho isso bem legal. A PaiN está aí a muito tempo, a CNB está aí a mais tempo e tem uma estrutura sensacional e a Keyd agora investindo pesado em jogadores e estruturas também é interessante. Eu acho que a gente está em um bom caminho, nós começamos depois, bem depois de todo mundo lá fora [Estados Unidos, Europa, China, Coréia e etc] e a gente está mais rápido do que os outros cenários que começaram depois, acho bem legal!

R.: A X5, ela sempre faz campeonatos de Combat Arms, CrossFire e League of Legends. Você acha que o maior público do evento é de League of Legends?

M13.: Sim, sem dúvidas! O LoL é um mutante, o maior jogo do mundo e ninguém vai tirar tão cedo assim, vai demorar muito. O número de transmissões dos outros jogos foram altíssimos também, isso normalmente não acontece. Acredito que as pessoas que vieram por causa do LoL gritaram bastante, vibraram junto assistindo FPS. É muito legal de assistir! E tem a questão do FIFA World também que tá começando a crescer no cenário competitivo e tá crescendo números, é bom ficar de olho.

R.: Falando sobre FIFA World, ele pode entrar em um cenário competitivo agora pois é um jogo gratuito e oferece um jogo bem mais competitivo, diferente do FIFA 14, você concorda?

M13.: Eu acho que esse é um bom ponto, ser gratuito é um ponto importante. Não é coincidência que todos esses jogos estão fazendo sucesso, mas também porque a empresa [EA] quer que o FIFA World seja competitivo, tenha um cenário de esporte eletrônico. Esse é o ponto principal pra qualquer jogo, pro jogo ter um cenário a empresa toda tem que querer, tem que apoiar, ir atrás e investir em premiações e ter estrutura como a Agência X5 e qualquer outra agência do tipo para fazer as transmissões e eventos dos campeonatos, sem apoio dessas empresas não dá. Nós começamos com Starcraft II e a Blizzard não estava conosco. CS:GO, a Valve também não estava junto. Por isso que não vai pra frente, lá fora eles estão, por isso eles tem campeonatos imensos, por isso que eu digo que isso só pode virar realidade se as empresas quiserem. É muito difícil trabalhar com empresas assim.

R.: Vamos falar da XMA: fazer o evento é cansativo?

M13.: Muito. Muito cansativo, a gente tá agora no finalzinho do terceiro dia. E a gente dorme muito pouco, chegamos em casa muito tarde e temos que chegar no evento mais cedo. Porque temos que ficar na atividade o tempo inteiro, estar ligado. Ao mesmo tempo que eu falo com você eu to de canto de olho assistindo o jogo porque daqui a pouco eu vou fazer a análise do jogo [CNB x PaiN] e então você não para, sua cabeça não para e eu tenho dor muscular de narrar, na perna, no pé, é muito cansativo e a galera não percebe isso. Se o cara só assiste um jogo, ele não se toca que a gente tá no ar todo dia, narrando três ou quatro coisas por dias, são jogos diferentes, programas diferentes. A gente trabalha muito, cansa muito. Mas é um trabalho divertido, muito divertido.

R.: Em quanto tempo você acha que o cenário brasileiro de esportes eletrônicos pode sustentar seus próprios jogadores profissionalmente?

M13.: Pra se tornar um cenário do tipo coreano, vai demorar uma geração ainda. A minha geração, a galera que nasceu dos anos 80 até a metade dos anos 90 e começarem a ter seus filhos e esses filhos começarem a jogar, talvez alí a gente pode ter um cenário muito melhor, mas ainda assim pode demorar muito pra se tornar um cenário desse tipo, dessa classe. Mas a aceitação dos games está muito maior, ainda não é o ideal, porque nas mídias sai como “Olhe a brincadeira que deu certo”, não é isso o que eu quero, não é isso que muita gente quer. O futebol não é uma brincadeira que deu certo — você tem a brincadeira é claro, o futebol de várzea, o futebol de escola, é diversão — Mas futebol profissional é futebol profissional. É isso o que a gente quer, jogadores profissionais e jogadores casuais. Vai demorar um pouco, mas essa mentalidade dos esportes eletrônicos já está pra mudar, as coisas vão ficar bem melhores pra todos nós.

R.: Você acha que com essa reportagem na Globo, o cenário de e-Sports crescerá?

M13.: Ajudou a crescer bastante, mas ainda não tenho certeza se chamará o público. Isso é muito melhor para que as empresas fora do nicho olhem para nós, investir no cenário. A reportagem na Globo chamou atenção de várias empresas de produtos mais “comuns”, que você usa no dia a dia. Mesmo aparecendo na TV, ainda saiu como “Olhe a brincadeira que deu certo”, como eu te falei. Felizmente já não é mais como antigamente: “Jovem mata X pessoas no cinema porque jogava Duke Nukem”, nós evoluimos muito, tá MUITO melhor agora.

R.: Você acredita que essa reportagem cortou todos os preconceitos pela raíz?

M13.: Não, ainda tem muito preconceito. É só uma visibilidade que nós tivemos de muitas que ainda vão vir. Tinha anúncio da XMA no Metrô, na TV.

R.: Muito obrigado Melão! Você quer mandar alguma mensagem?

M13.: Queria agradecer você! É a terceira vez que a gente se encontra em eventos. Gosto do projeto de vocês e eu adoro dar entrevista. E abraço pra todos que acompanharam o projeto de vocês e VAI ROLEPLAYERS!

Entrevista com Diogo “Tobocco” Pereira

Roleplayers: Estou aqui com Diogo “Tobocco” Pereira. E ele é um dos narradores principais da X5. Tobboco, como você começou sua carreira como caster/narrador?

Tobocco: Eu tinha um time de League of Legends que eu patrocinava em 2011 que era a eXP.Games e ninguém narrava, quase não tinha nenhum espectador e a gente sempre ganhava os campeonatos. Atualmente a EXP virou PaiN.Gaming, aí eu falei “pô, vou começar a narrar os jogadores, os caras que eu patrocino” e nessa brincadeira virou uma brincadeira séria e eu vivo disso.

R.: Quando você foi convidado para trabalhar na X5? E como você se sentiu em relação ao convite?

T.: Foi na IEM 2012 (Intel Extreme Masters) lá na Campus Party. Eles já tinham falado préviamente comigo mas não tinha nada fechado, isso em Janeiro. Aí em fevereiro o dono da X5 me convidou pra almoçar e falou: “Olha Tobocco, nós queremos te contratar”, foi o momento mais feliz da minha carreira, por estar nessa grande empresa e seguindo em frente!

R.: Tobocco, como está indo o Circuito Brasileiro de League of Legends?

T.: O CBLoL está indo muito bem, os times tradicionais estão caíndo e novos times estão aparecendo, temos a United, a AWP. Aqui no XMA a KabuM se mostrou finalista contra a Keyd. Tá tudo indo aquecido, todo mundo buscando seu espaço no cenário, tá muito bom o cenário.

R.: Você acredita que daqui a alguns anos, os jogadores profissionais conseguem viver só de campeonatos?

T.: Os jogadores de League of Legends já estão consolidados. Já dos outros jogos não dependem só dos jogadores, mas sim das grandes empresas também! Mas não consigo enxergar os outros jogos como algo rentável.

R.: Vamos falar sobre uma richa famosa dos jogos eletrônicos: LoL x DoTA2. Você acredita que o DoTA consegue chegar num patamar próximo ou maior que o LoL?

T.: O DoTA só vai chegar no patamar do LoL se a Valve quiser. O que acontece: o sistema de marketing da Valve na minha opinião é equivocado, acho que eles tinham que ser como a Riot. Que ela [Riot] injeta o dinheiro, sendo a própria federação do jogo. A Valve não é assim, ela funciona como “Ah, comunidade se virem aí, a gente tem o International”, eu não acho isso certo. Eu acho que o DoTA pode ser maior que o LoL, mas a Valve tem um sistema de trabalho muito estranho.

R.: A Valve disponibilizou recentemente o documentário Free To Play, é um documentário que fala sobre a premiação de US$1.000.000,00 do campeonato internacional e os jogadores mais famosos. Você acredita que ela pode fazer isso com a BGS ou algum evento grande?

T.: Esse é o problema, eles se cercam muito no Internacional e eu não entendo o porquê. O DoTA é grande, o cenário de DoTA é gigante, principalmente lá fora no leste europeu. Mas eu realmente não entendo o sistema de trabalho deles, eles tem dinheiro, tem público e eles não fazem nada a respeito. Se eles quiserem eles podem ser tão grandes quanto o LoL.

R.: Tobocco, muito obrigado pela entrevista. Você quer mandar uma mensagem pra alguém?

T.: Um abraço pra todos vocês que acompanharam essa entrevista, um abraço à todos que acompanham e apoiam o e-Sport! E um abraço pro pessoal da Roleplayers!

– # – Entrevista com Keyd Stars SuNo -#-

Roleplayers: Estou aqui com An “SuNo” Sun-ho atual jogador coreano da Keyd Stars, time de League of Legends. SuNo, como foi sua primeira reação ao receber o convite para jogar no Brasil?

SuNo: Eu senti que foi uma grande oportunidade pra seguir minha carreira de jogador profissional. *

R.: Como seus pais reagiram ao saber que você viria ao Brasil para seguir sua carreira de jogador profissional?

S.: A partir do momento em que eu tive a oportunidade e pedi permissão, eles aceitaram tranquilamente, me deram a maior força e apoio vir pro Brasil e seguir minha carreira. Eu já tive uma carreira na Coréia e meus pais também me apoiaram bastante!

R.: Como foram seus primeiros dias no Brasil?

S.: Quando cheguei aqui, senti muita dificuldade. Principalmente pela língua e pela cultura que são muito diferentes. Mas eu tive um grande apoio do meu time e principalmente do Edu Kim (CEO e fundador da Keyd Stars) que me ajuda a comunicar com as pessoas, sendo o intermédio das conversas. Mas me adaptei facilmente com meu time e me enturmei rápido. Eles me ensinam algumas coisas e o português.*

R.: SuNo, o que você está achando do Circuito Brasileiro de League of Legends?

S.: Foi um evento grande, bem legal e interessante. Pelo apoio e pela torcida, me dando toda força… Eu me senti em casa.

R.: A pressão de jogar no Brasil é maior do que jogar na Coréia?

S.: Em relação a pressão, eu me senti melhor aqui no Brasil. Foi muito mais fácil lidar com a pressão, o povo brasileiro tem uma torcida agitada, cheia de energia que eu até acabei me esquecendo da própria pressão. Bem mais fácil de se adaptar a essa “pressão”.

R.: Agradeço pela entrevista SuNo! Quer mandar alguma mensagem?

S.: “I like Brazil” [risos] “Obrigado”.

(*toda a conversa entre eu e o SuNo foram intermediadas por um tradutor)

Author: Renan Scafuro

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